Núcleo de Design de Animação

Análise Temática

Festivais de Animação 2020-2021: Uma Análise das Principais Temáticas dos Filmes Expostos

por Bruno Azzani Braga, Elisangela Lobo Schirigatti e Suelen Zaramela Schelemei

A produção da memória de um povo é um dos fatores de pertencimento a sua cultura sendo interpelado por vários artefatos, por exemplo, brinquedos, próteses e representações visuais dentre as diversas artes plásticas, cênicas e sonoras, inclusive a animação. Através das obras audiovisuais podemos interpretar um povo em um determinado cenário histórico-social. Devido a isso a catalogação e análise crítica dessas obras se apresenta como um processo valioso para formulação de narrativas e desmascarar discursos ditos neutros. Nossa linha de pesquisa investiga e lista as animações brasileiras, em parceria a Red Latinoamericana de Estudios de Animación – Sur a Sur, trazendo uma perspectiva pós-crítica com interseccionalidades como raça, sexo e classe.

Conceitos:

Especificamente no que tange o processo de recuperação e catalogação fílmica, inclusive a animação, dois termos podem ser encontrados: vocabulário controlado e indexação. Ambos se relacionam no processo de identificação de uma obra, o vocabulário controlado é uma espécie de glossário com termos abrangentes e específicos, por exemplo, música refere-se a todos os gêneros musicais, já rap, hip-hop ou pop, etc. são termos específicos relacionados a música. Com essa organização facilita-se a descrição do conteúdo de uma obra e referenciá-las com termos-chave, ação conhecida como indexação. Essa atribuição de palavras que descrevem a obra, auxiliam em sua procura pelas ferramentas de busca da instituição ou até mesmo para identificar obras com temáticas semelhantes.

Objetivo:

Como parceiros das atividades da Red Latinoamericana de Estudios de Animación – Sur a Sur, contribuindo como projeto de extensão Observatório Internacional do Ensino em Animação, dentro do Núcleo de Design em Animação da UTFPR, nosso objetivo geral é a catalogação das animações brasileiras, sobre tudo em festivais, para que sejam apreciadas e/ou reconhecidas pela “Red”, dessa forma contribuindo com a pesquisa na América Latina sobre o assunto. Como objetivo específico, deve-se realizar atividades de pesquisa, publicação e divulgação. Diferentemente do restante da “Red”, nossa abordagem fundamenta-se em autores da pós-crítica e pós-estruturalistas, como Butler.

Resultados:

Em nossa primeira análise analisamos a catalogação da Cinemateca Brasileira, em sua divisão da Filmografia Brasileira, conseguindo demonstrar a carência de termos no vocabulário controlado que se ajustem às demandas sociais, por exemplo, o uso de Indígena ao invés de Índio. Contudo, percebeu-se que uma maneira de testar novos termos e entender a aceitação do público foi o uso do vocabulário livre. Essas indexações que não apareciam antes começaram a retornar valores que apenas pelo primeiro vocabulário não retornaram.

 

Dependendo da ramificação da área da ciência da informação, a forma de acesso do público ao conteúdo pouco importa, nessa perspectiva, mais tradicional, o arquivamento sempre deverá ser neutro e suficiente, se seguir as diretrizes estabelecidas (Lima, 2018). Por outro lado, uma abordagem mais crítica questiona a veracidade de uma escolha neutra, sendo que várias obras não são classificadas ou presentes em bibliotecas públicas, como o caso de filmes LGBTQIA+.

Referências bibliográficas

Butler, J. (2019). Corpos que importam: os limites discursivos do “sexo”. São Paulo: N-1 Edições.

Denis, S. (2010). O Cinema de Animação. Lisboa: Armand Colin.

Lima, V. M. A. (2018). Bibliotecários de Arte no Brasil formação e desenvolvimento profissional: Um estudo exploratório. Informação & Sociedade: Estudos, 28(3).

Macambyra, M. (2009a). Manual de catalogação de filmes da Biblioteca da ECA. Universidade de São Paulo. Escola de Comunicações e Artes.

Ribeiro, H. C. M. (2018). Bibliometria: Quinze anos de análise da produção acadêmica em periódicos brasileiros. Biblios: Journal of Librarianship and Information Science, 69, 1–20.

Saracevic, T. (1996). Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspectiva em Ciência da Informação, Belo Horizonte, 1, 1, 41-62.

Smit, J. (2000). O profissional da informação e sua relação com as áreas de Biblioteconomia/Documentação, Arquivologia e Museologia. In: VALENTIM, Marta Lígia (Org.). Profissionais da informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis.